Maridos deixam emprego em segundo plano

Maridos deixam emprego em segundo plano

Por necessidade ou mesmo por opção, é cada vez mais comum homens cuidarem dos filhos e mulheres trabalharem fora

Que os arranjos familiares estão mudando, não há dúvidas. E isso inclusive tem impactado no mercado de trabalho.
Segundo especialistas em Recursos Humanos, é cada vez mais comum encontrar lares em que o pai é o responsável por cuidar dos filhos, enquanto a mãe trabalha fora. A mudança acontece, em geral, por dois motivos: quando o casal decide por isso ou, mais comum – especialmente neste momento de crise – quando o homem fica desempregado e acaba optando, depois de analisar as finanças doméstica ou até mesmo por não conseguir recolocação, por ficar em casa.

O fotógrafo freelancer Thiago Vieira, 35, conhece bem esta situação. Quando a filha Victoria nasceu, em 2013, ele, que atuava como agente de turismo, fez as contas junto com a mulher e decidiu que não era vantajoso continuar trabalhando, por conta do salário que recebia na época. “Teríamos que gastar com empregada e escolinha. A melhor saída encontrada por nós foi eu pedir demissão e ficar em casa. Durante dois anos, cuidei exclusivamente da minha filha. Hoje, realizo trabalhos freelancers de fotografia, enquanto ela está na escola”. A mulher, que é esteticista, tem uma clínica própria. “A nossa geração já está aprendendo que homem e mulher têm que ser parceiros, apesar de culturalmente ainda ser difícil para muitos entenderem
um homem que fica em casa”. Para o CEO da Heach Brasil e América Latina Elcio Paulo Teixeira, uma das explicações para o fato de hoje ser mais comum encontrar homens em casa e mulheres trabalhando fora, é que elas têm se capacitado cada vez mais. “Já se sabe que as mulheres têm, estatisticamente, mais anos de estudo do que os homens. E isso se reflete nos salários. Então, em algumas famílias, é melhor que elas continuem no mercado de trabalho porque têm uma remuneração mais alta”, completou.

No entanto, afirmou Martha Zouain, psicóloga e diretora da Psico Store, é importante que o homem que esteja em casa cuidando dos filhos não deixe de pensar em sua carreira profissional. “Uma hora as crianças crescem. Por isso, ele precisa ter estratégias de desenvolvimento, como se capacitar por meio do estudo”, frisou.

Busca pela qualidade de vida é prioridade

Ter horários mais flexíveis e a possibilidade de gerenciar melhor o tempo gasto na empresa são exemplos de anseios buscados pelos profissionais atualmente. De acordo com especialistas em Recursos Humanos, cada vez mais os profissionais buscam qualidade de vida – com um equilíbrio melhor entre as atividades relacionadas ao trabalho e a vida pessoal –, mesmo que isso signifique trabalhar por um salário mais baixo. “Vejo que isso acontece muito com os jovens, mas também com profissionais mais maduros, que chegaram em um patamar da carreira, com suas finanças domésticas já resolvidas, em que o salário alto não é o principal atrativo”, analisou a gerente da Center RH Eliana Machado. Para ela, um movimento comum em casos de colaboradores que desejam mais qualidade de vida é o de trocar empresas de grande porte pelas de médio e pequeno porte. “Isso acontece porque em organizações menores, o profissional consegue ter mais autonomia sobre o seu trabalho e as decisões que o cercam. Como consequência, se sentem mais valorizados. E ser realizado no trabalho é fonte  de bem-estar”, afirmou.

Crise

Mesmo com a crise econômica, apontou Eliana, existem exemplos de profissionais de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro que toparam se mudar para a Vitória justamente porque estavam atrás de mais qualidade de vida. “Eles vieram por salários mais baixos, mas escolherem a cidade porque aqui o trânsito é melhor, as distâncias entre casa e trabalho são menores e é possível fazer muitas atividades ao ar livre”, ressaltou.

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